Cidadania: temática ganha destaque na educação estadual com lançamento de Política de Desenvolvimento de Competências Socioemocionais

22 de fevereiro de 2018 - 20:56

A aprendizagem cognitiva tem importância reconhecida no meio educacional, entretanto, não se faz suficiente para a formação integral do ser humano. Para tanto, é necessário, também, desenvolver habilidades de convívio, autoestima, pensamento crítico, entre outras. Seguindo este preceito, a Secretaria da Educação (Seduc) lançou, nesta quinta-feira (22), a Política de Desenvolvimento de Competências Socioemocionais. A temática já vinha ganhando repercussão na rede estadual desde o ano passado e agora fará parte do cotidiano das 111 Escolas de Ensino Médio Regulares em Tempo Integral (EEMTI), assim como, de algumas escolas de tempo parcial.

O secretário Idilvan Alencar valoriza a questão e defende que estas competências são o principal meio de combate à violência. “O sucesso na educação não é uma questão apenas de obter bom desempenho em avaliações. São as habilidades socioemocionais que têm o poder de, verdadeiramente, mudar a juventude deste país. O nosso papel, enquanto educadores, é de cada vez mais oferecer formação integral. Não me refiro, especificamente, ao tempo integral, mas, à formação cidadã, que promove a cultura de paz”, argumenta o gestor.

Ao todo, são nove iniciativas que compõem o conjunto de ações desta Política: Núcleo de Trabalho, Pesquisa e Práticas Sociais (NTPPS ); Projeto Professor Diretor de Turma (PPDT ); Juventude em Ação ; Psicólogos Educacionais; Mediação Social e Cultura de Paz; Educação, Gênero e Sexualidade na Escola; Aprendizagem Cooperativa; Comunidade de aprendizagem; Projeto de Vida e Mundo do Trabalho.

Nilceia Lopes, gerente de Projetos do Instituto Ayrton Senna, um dos parceiros da Seduc na Política, acredita que a ação estimula os jovens a desenvolverem suas potencialidades. “Para nós, é um contentamento somar forças a este projeto. E tenho clareza do protagonismo do Ceará no desenvolvimento de uma política educacional sustentável, que discute autoestima, resiliência e perseverança”, aponta.

Pioneirismo

A Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas do Governo do Estado (SPD), também parceira da Seduc na empreitada, foi representada no lançamento pela secretária executiva Tamara Paiva, que deu ênfase ao protagonismo juvenil nas comunidades. “O Ceará é pioneiro no Brasil com a aplicação deste programa, voltado especificamente aos alunos do ensino médio, favorecendo a socialização de conhecimentos a respeito do tema na comunidade”, observa.

 

 

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A estudante Thaís Kelly Pompeu, de 15 anos, cursa a 2ª série na Escola Matias Beck. A jovem avalia que as as ocorrências de conflitos na escola diminuíram bastante, após a implantação da iniciativa “Mediação Social e Cultura de Paz”. Trata-se de uma forma de resolver problemas por meio do diálogo, segundo explica Thaís. “Ao invés de o aluno ofensor ser levado para a coordenação, para que sejam chamados os pais e receba uma suspensão, levamos ele para a sala de mediação, conversamos, e ele entra em acordo com a outra parte”, esclarece.

Diálogo

De acordo com Thaís, a mediação ocorre, preferencialmente, com alunos que receberam formação para aplicar a iniciativa, pois os jovens envolvidos em situações de conflito se sentem mais à vontade para conversar com colegas, do que com professores. “Além da mediação, há também o círculo de diálogos, que ocorre periodicamente, dando aos alunos a oportunidade de trabalhar a autoestima expressando seus pensamentos e emoções. Tudo o que é falado no círculo, permanece ali”, conclui.

Eveline Corrêa, coordenadora pedagógica dos programas do Instituto Aliança no Ceará, que também aliou-se à Seduc na causa, considera que a mudança no contexto social é complexa, porém, possível. “Nosso grande inspirador, Paulo Freire, já ensinava há 50 anos sobre a importância da consciência crítica, libertadora. Dessa forma, o jovem pode ter, durante os três anos do ensino médio, a oportunidade de pensar sobre sua vida, com suas potencialidades, sonhos, angústias, fragilidades, e sobretudo sua vontade de crescer e praticar sua cidadania”, indica.

A Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Programa de Estímulo à Cooperação na Escola (Prece), também é parceira da Seduc na ação. O professor Manoel Andrade, representando a instituição, salienta a união de forças entre a universidade e a educação básica, “reconhecendo a importância de se desenvolver iniciativas de cooperação e de solidariedade no meio educacional”.

22.02.2018
Assessoria de Comunicação da Seduc